Penseira: Bacia de pedra rasa, com entalhes estranhos na borda, runas e símbolos. É um recipiente que serve para guardar pensamentos os quais ocupam muito espaço na cabeça de alguém.

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Enfim formada

Melhor, enfim.. De volta a SP!

Não pensava que essa frase soaria tão forte até que precisei proferir pra mim mesma!

A faculdade foi excelente, os professores que conheci foram excelentes, a visão que me abriu, mudou minha vida, masss..

O período da minha faculdade NÃO foi o melhor período da minha vida como todos acreditam que seja.

E hoje, oficialmente estou me despedindo e me desprendendo disso tudo!

Estou no meio da serra, ouvindo minhas musicas e indo atras de algo que hoje, tem muito valor pra minha família: estou indo pegar o meu tão sonhado diploma de Profissional de Educação Física formada pela Universidade Federal de São Paulo.

Mas por mais pomposo que isso soa, não foi um período de glórias e louvores.. Foi um período de choro, insegurança, confusão mental, estafa, estresse e mágoas.

Não fiz muitos amigos (daqueles que vc fala “o que a facul uniu, ninguém separa”), muito pelo contrário.. Sinto que minha missão lá, foi única e exclusivamente pra testar minha força e minha resiliência. E não só nas aulas, mas na minha vida em si..

Morar longe de casa com dívidas e duvidas sobre minha vida não foi fácil não!

Até hoje eu sei que muitas das minhas inseguranças e medo, vieram quando eu olhei de um lado pro outro, sem minha família no meio de uma cidade que não me acolheu, e me perguntei? O que eu faço? Eu como ou eu estudo? Eu estudo ou eu durmo? Eu pago uma xerox ou almoço?

Graças a Deus nunca tive nenhuma dificuldade financeira, mas a faculdade me proporcionou essa experiência de escassez junto com a sensação de solidão, pois por um grande período eu fiquei sozinha durante a semana pq o meu namorado tentou voltar pra SP pra trabalhar e eu ficava em “casa” sozinha todas as noites após aquele estresse das aulas.

Isso quando não passava a noite fazendo doces pra vender na faculdade pra pagar meu almoço. QUAAANTAS vezes eu rezava pra vender ao menos 2 doces pra eu poder comer..

Mas fora tudo isso, hoje eu olho pra trás, com muitas lagrimas e vejo que consegui criar uma casca bem forte pra lidar com situações emergenciais.

Na hora, penso friamente, protejo quem amo e salvo minha pele e depois que tudo está um pouco mais “leve”, aí me permito chorar e levar a alma.

Obrigada pelos 4 anos de aprendizado não só acadêmico, mas de vida!

Resiliência, paciência e força, foram as palavra que mais me guiaram ao longo desse período e hoje, eu posso declarar oficialmente fechado, pois não tenho mais amarras, não tenho mais compromissos, nem nada ué me segure fisicamente e emocionalmente em Santos!

Obrigada e adeus!


Crescer não é tão legal quanto a gente pensa quando é criança..

Crescer pode até ser sinônimo de independência e liberdade, mas tem horas que isso é assustador!!

Me ver com 26 anos, desempregada e sem perspectiva de vida (mas com muitos sonhos) é um pouco desesperador sim, pois as vezes caio na neura de achar que perdi tempo, que não devia ter “””””parado minha vida””””” pra cursar uma faculdade longe de casa.

Porque voltar, é mais assustador do que viver em outro lugar.

Saímos cheio de sonhos, cheio de planos e vontades e quando se depara com o mundo real, se assusta, pois as obrigações vem, as cobranças também e a sensação de incapacidade também.

Às vezes é difícil ter fé quando se tem o mundo nas suas costas e você tem que pensar maneiras de carregá-lo. Fora a motivação toda que muitos dizem que é o fator chave da transformação.. Puff!! Se fosse uma chavinha como dizem, o mundo seria diferente.

Só que o mundo cobra, o mundo pressiona e quer resultados, e então você vai se perdendo dos seus sonhos.

Ou melhor, o mundo esnoba e debocha dos seus sonhos.

Mas o amadurecimento não tira uma coisa: a fé. Pois é na fé que tiramos o pouco de fôlego e força de vontade pra tentar chegar onde nosso coração deseja.

E cara.. Como é difícil ter fé em alguns momentos. Ainda mais quando você acha que o mundo pode ser injusto.

Mas sigo tentando e buscando o meu lugar ao Sol..


… honestamente… Bem singelo!

Meu maiores sonhos hoje, são simplesmente uma vida minimamente sossegada. Onde eu tenha reconhecimento do meu trabalho, mas muito trabalho também, o possível de estabilidade financeira pra poder ter uma vida digna e espaço pra viver uma vida leve.

Quero me ver no futuro, com uma casa ou apartamento que simplesmente tenha uma varanda e uma rede, porque nos domingos, quando eu sentar pra pensar na semana e na vida, eu possa ter um mínimo de vento leve batendo no rosto nessa varanda.

Mas não quero só essa leveza toda, quero trabalho também! Quero poder fazer um bom trabalho naquilo que amo, e dando tudo de mim pra poder entregar ao público um bom serviço e a consequência, será um salário decente.

Quero poder viajar, mesmo que a trabalho, pra poder cruzar informações, cruzar fronteias do conhecimento, mas também conhecer culturas e opiniões diferentes da minha que me ajudarão a me compor uma pessoa vivida.

Quero poder espalhar o que sei e aprimorar sempre, porque acredito que um bom profissional nunca para, sempre estuda e sempre tem dúvidas de tudo e sobre tudo, com sede de conhecimento e muita curiosidade.

Quero poder sorrir o máximo possível, e nos momentos sérios, ter a frieza e sensatez para não cair na vibe ruim e saber levantar de modo digno quando as coisas saírem do controle (porque elas sempre saem e sempre irão sair, senão a vida seria monótona demais).

E mesmo com todo o trabalho e todo o momento de paz, quero estar com quem eu amo e que essas pessoas que eu amo, estejam felizes também, porque felicidade boa, é felicidade compartilhada.

 

No fim das contas, não to afim de um final de filme com casamento, casa luxuosa e viagens infinitas pelo mundo.. No final das contas eu só quero é ser feliz e grata!

Summer breaks

PS: iniciativa de texto por conta o livro “O Poder da Coragem”.


Imagem de anxiety, charlie brown, and quoteDifícil escrever sobre ansiedade, mas garanto que é mais difícil ainda lidar com ela.

Não quero parecer melodramática, mas tenho uma história de vida um pouco conturbada, mas que tento não transparecer, primeiro para não parecer a coitada, e segundo que hoje sou minha melhor versão, então não preciso remoer o que se passou na minha vida sempre.

Mas sou de uma família que possui um início bem difícil, pois meu pai se casou com a mãe da minha irmã com apenas 17 anos, por conta da gravidez por acidente da minha própria irmã. Isso os levou a tentar uma vida “digna” em SP, mas 4 anos depois, em meio a uma gravidez de risco, a mãe da minha irmã morreu e meses depois meu irmão Eduardo faleceu tbm, deixando meu pai e minha irmã (com 4 anos) sozinhos em SP.

Passados alguns perrengues de vida, meu pai conseguiu com muito custo criar minha irmã e tentar mostrar que a vida pode melhorar se você correr atrás dos seus sonhos e tiver um ombro amigo para ajudar. Minha irmã com menos de 6 anos já mostrou pro meu pai que o amor é maior do que todos os problemas.

Depois disso, meu pai conheceu minha mãe e juntos eles construíram a “fortaleza” que vivo hoje, com muita dedicação, trabalho, muito pão com ovo no Natal e Ano Novo e foram construindo o espaço deles e nos ensinando que a gente consegue as coisas com trabalho, dedicação e muitas vezes com privação das coisas.

Para nossa infelicidade, o buraco era muito mais embaixo e meu pai acabou falecendo com 49 anos. Eu, na época tinha 13 anos e minha irmã 20, e foi o maior baque que sofri na vida, pois aparentemente era tudo lindo, e éramos uma família feliz, mas as mágoas do passado iam corroendo meu pai.

Foi daí que percebi que nada é para sempre e que precisamos dar valor a nossa vida mais do que qualquer trabalho. Demorei muito para chorar com a perda dele, e até hoje me pergunto se sofri o luto de verdade, pois me descobri inacreditada da situação.

A partir disso, comecei a me descobrir como pessoa, como menina e meu papel na vida das pessoas ao meu redor. Engordei, emagreci, me formei como bailarina, me descobri como profissional, mas com o término do meu primeiro namoro, foi que percebi que não era tão forte como minha mãe sempre me ensinou a ser…

Descobri que tinha falhas, que não poderia ser perfeita sempre e, com isso, desenvolvi urticária nervosa aos 16 anos…

Foi o pior período que passei na minha vida inteira que não consigo nem explicar a sensação. Apenas pensava o quanto eu era horrível, o quanto me sentia feia e no quanto isso assustava a mim e as pessoas ao meu redor. Porque acordar com o rosto tão inchado a ponto dos olhos não abrirem, não era fácil. E tentar transparecer tranquilidade as suas alunas, sabendo que elas estavam assustadas com o seu rosto e o seu corpo, foi um momento de muita dor física e psicológica.

Tentei por anos buscar tratamento médico para isso, mas nada adiantava, e foi daí que encontrei o meu ponto crucial, o divisor de águas… A ansiedade!

Descobri que todo aquele “pipoco” na minha pele era pura ansiedade, e daí iniciei um grande processo solitário e interno de busca pessoal para controle da mesma. Mas, como nem tudo são rosas, acabei entrando em outro capitulo nebuloso na minha vida: relacionamento abusivo.

Nessa busca pessoal de controle de ansiedade, acabei me atraindo ao um relacionamento completamente abusivo, que como todos dizem e eu reafirmo, é o pior para se descobrir e se livrar.

O cara escondeu o nosso relacionamento para a família e o círculo de amizades dele por meses. Me obrigava e me vestir e me portar do jeito que ele achava que deveria ser, e não tolerava menos que aquilo com todo aquele apelo emocional de que era para o meu bem e que não queria me ver mal. Gastei dinheiro, mudei cabelo, passei noites em locais estranhos sem avisar minha mãe e preocupando minha irmã, tudo isso porque o cara dizia que me amava.

Fiquei nessa por 8 longos meses e como foi ruim… Nossa!! Se perder e perder pessoas queridas por uma atitude dessas foi totalmente humilhante, e até hoje sinto que perdi muito da minha vida nisso tudo.

Claro que depois de enfim ter coragem de sair dessa as coisas melhoraram, mas diante de toda essa história maluca, só tenho uma coisa a dizer: não digam que ansiedade é frescura, porque não é.

Mesmo depois de ter ciência de que as piores coisas da minha vida já passaram, ainda sinto medo e ânsia do futuro. Ainda tenho picos de vontade de largar tudo e ver o que a vida me traz e como isso é ruim!!

Não desejo ansiedade a ninguém, porque ela mata!! Ansiedade e magoa, mata!! Meu pai foi prova disso e desejo do fundo do coração que quem esteja lendo isso, tenha compaixão quando alguém ao redor disser que está ansioso.

Não to aqui para fazer drama para ninguém, estou aqui pra alertar e expor que isso não é frescura, isso dói, isso machuca você e machuca as pessoas ao redor. Vamos tentar lidar com isso e abraçar os amigos, seja com palavras bonitas ou simplesmente com um abraço.

Já dizia um mentor meu “Pessoas precisam de pessoas” e por mais egoísta que o mundo esteja no momento, se cada um ajudar um pouquinho, mas um pouquinho mesmo. Um ato simples de compaixão e amor sincero, já ajuda demais todo mundo.

Irônico fazer esse post em pleno domingo de parada LGBT, mas isso me inspirou que precisamos viver e conviver com a diversidade, seja afetiva, seja social.

Viva a diversidade e a maturidade de saber respeitar essas diferenças!



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