Por Lucas Salles 

Às vezes parece que a maior dificuldade que temos na vida é encontrar algo que nos motive a viver. Eu, que só tenho meus vinte e dois anos, já me sinto cansado.

Não cansado de viver, mas cansado de encontrar tanto problema em viver e nenhuma solução (motivação). E olha que eu não crio problema. Eu só encontro. Se eu criasse problemas, seria, de fato, um problema meu. Mas a única coisa que eu faço para ter esses problemas é viver. Basta viver para ter milhões de coisas com que se preocupar.

E o mundo não coopera muito, né? Cada vez mais a dificuldade de “dar certo” aumenta, cada vez mais tributos e impostos surgem, cada vez mais a insegurança nos amedronta… 

Tá difícil pra quem quer viver. E não estou falando da situação econômica/política/de falta de segurança que estamos vivendo. Não. Tô falando da dificuldade que temos cada vez que abrimos os olhos pela manhã. É óbvio que fazer um texto reclamando sobre a dificuldade não faz com que a própria dificuldade desapareça. Mas, na minha opinião, alguns (eu, principalmente) precisam escrever para não explodirem em sua própria tristeza/depressão momentânea.

“Mas, que dificuldades são essas?”. A dificuldade de não ter mais um pai/mãe do seu lado, a dificuldade de não conseguir um novo (e único) amor, a dificuldade de não conseguir andar com os próprios pés, a dificuldade de aceitar uma traição (seja ela qual for), a dificuldade de se adaptar a uma nova realidade, a dificuldade de conseguir um estágio novo, a dificuldade de conseguir dinheiro para viver, a dificuldade de não saber o que acontecerá amanhã, a dificuldade de saber que ainda falta muito para que algumas coisas que você quer aconteçam, a dificuldade de se criar, a dificuldade de não ter amigos, a dificuldade de não chorar com o filme Forrest Gump, a dificuldade de saber que talvez você tenha feito “algumas” coisas erradas, a dificuldade de não ter seu trabalho reconhecido, a dificuldade de não ter Deus sorrindo para você, a dificuldade de não conseguir engravidar, a dificuldade de não conseguir mais ouvir a palavra “não”…

Eu não queria que as coisas fossem mais fáceis. Não. Assim não teria graça. Só queria que as pessoas fossem mais simples. Por que, no fundo, no fundo, quem complica o mundo somos nós, seres humanos metidos a inteligentes. Todo mundo aqui é burro. Burro pra caralho. Se algum de nós fosse inteligente, estaria morando em Marte. 

Todos nós, seres humanos egoístas e maldosos, somos uns idiotas em relação a vida. Complicamos cada passo que damos. Quando achamos que estamos próximos da felicidade absoluta, na verdade, estamos mais longe da realidade. Nós nos alimentamos de ilusão. E o pior: nós gostamos disso.

Se houvesse um jeito mais simples de viver, independente do dinheiro, do político e da polícia que anda pelas ruas, eu escolheria essa vida. Só para experimentar. Imagine como está a situação para quem não tem como/não sabe escrever. Se a escrita tem o poder de libertar, ela deveria ser regra na vida de todos nós. Um “vício” disfarçado de “hábito”.

Não sei se é a posição dos planetas que faz a gente se sentir assim, nem sei se é a falta de um rockeiro depressivo para representar nossos sentimentos numa música, mas sei que falta algo que nos motive. Urgentemente. Algo que nos faça lembrar que estamos vivos. Temos paixão, Disney, Nutella, mas, mesmo assim, falta algo que nos lembre do nosso real propósito na Terra. Viver. E, é claro, ser feliz. Ou pelo menos morrer tentando.

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